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Resenha: A CABANA

por Gabriel Freitas.

08/12/2022


Uma cabana, um filho e seu pai, vítima de um aneurisma e que agora se move apenas através de uma cadeira de rodas. Esse é o cenário de "A Cabana", quadrinho lançado em 2020 pelo selo Outside.co e indicado a 05 categorias do prêmio HQMix.


A trama, roteirizada por Caroline Favret e Caru Moutsopoulos, aborda a violência como uma doença social, mesclando a realidade atual de Alexandre e de seu pai, Benjamin, com a relação passada entre eles e Cibele, mãe do protagonista.


A história possui poucos diálogos, mas os desenhos de Gustavo Novaes, junto com a disposição dos quadros, constroem perfeitamente uma atmosfera de suspense, pavimentando a história até seu catártico final.


A partir daqui, o texto contém spoilers.


O protagonista, durante toda a sua infância, presenciou seu pai abusando de sua mãe, até o fatídico dia em que ela é morta por este. A trama é construída minuciosamente entre presente e passado, com os acontecimentos anteriores reverberando nos atuais, até chegar ao fim da história, onde nos é revelado que a comida que o protagonista vem alimentando seu pai são restos de jovens que assassina, pois, em sua mente, é uma forma, embora doentia, de se aproximar de sua mãe.


O feminicídio infelizmente é uma realidade, ainda mais em solo brasileiro (considerando todo o mundo, o Brasil é o 5º país em que mais ocorrem mortes violentas de mulheres). Conforme as próprias autoras dizem no prefácio da obra, a HQ não busca justificar, mas sim, compreender. Fica a reflexão: quantos Alexandres ou Benjamins existem próximos a nós?


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